A programação da Ver RAPS constituiu-se como uma estratégia formativa integrada, construída de maneira colaborativa entre as coordenações dos Programas de Residência de Medicina de Família e Comunidade (ano adicional – R3) com ênfase em Saúde Mental e População em Situação de Rua, e Residência Multiprofissional em Saúde Mental. A proposta envolveu a participação ativa de preceptores e residentes de ambos os programas, favorecendo a construção de um espaço interprofissional de aprendizagem, troca de experiências e aproximação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no território de Salvador.
Organizada ao longo de duas semanas, a programação articulou diferentes metodologias e cenários de prática, combinando momentos teóricos, visitas técnicas e atividades de integração. Entre as atividades desenvolvidas, destacaram-se oficinas introdutórias sobre a rede e o funcionamento dos programas de residência, discussões temáticas com participação da gestão municipal, além de visitas a diversos pontos de atenção da RAPS, como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidade de Acolhimento (UA), pronto atendimento psiquiátrico e serviços voltados à população em situação de rua.
A imersão nos serviços possibilitou aos residentes conhecer, in loco, os dispositivos da rede, suas dinâmicas de funcionamento, fluxos de cuidado e desafios cotidianos. As visitas a equipamentos como CAPS III, serviços itinerantes, comunidades terapêuticas e iniciativas intersetoriais, como o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) e o Núcleo de Ações Articuladas para População em Situação de Rua, ampliaram a compreensão sobre a complexidade do cuidado em saúde mental e a importância da articulação entre saúde, assistência social e demais políticas públicas.
Além disso, a programação contemplou rodas de conversa e discussões temáticas relevantes, como acesso da população de rua à atenção básica, moradia assistida, cuidado a pessoas em sofrimento psíquico intenso e problemáticas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas. Esses espaços favoreceram o debate crítico e a problematização das práticas, estimulando a reflexão sobre os modelos de atenção e as possibilidades de fortalecimento da RAPS no SUS.
A realização de atividades culturais e de integração, como o tour histórico pelo território, também contribuiu para situar os residentes no contexto sociocultural da cidade, reforçando a importância do território como elemento central no cuidado em saúde.
Por fim, a síntese das vivências, realizada ao término da programação, permitiu sistematizar aprendizados, compartilhar percepções e fortalecer o compromisso ético-político dos residentes com a defesa de uma atenção psicossocial territorializada, integral e centrada nas necessidades dos usuários. Assim, a Ver RAPS consolidou-se como uma potente experiência de educação interprofissional, alinhada aos princípios do SUS e à perspectiva da atenção psicossocial.






















