Aula de encerramento abordou a integração entre cuidado, gestão e educação como dimensões fundamentais para a organização dos serviços e a formação profissional no SUS
A Escola de Saúde Pública de Salvador (ESPS) concluiu, na segunda-feira (26), o Módulo de Gestão em Saúde do Ano Adicional de Residência Médica (R3) em Gestão e Preceptoria do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade (PRMFC). O encontro de encerramento contou com uma aula ministrada pelo professor doutor Washington Luiz Abreu de Jesus, médico de família e comunidade, sanitarista e professor associado da Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia (FMB/UFBA). Com o tema “Cuidado, gestão e educação na saúde: fundamentos para a articulação na prática”, a atividade concluiu o percurso formativo iniciado em agosto.
Formação voltada aos desafios da gestão no SUS
Coordenado pela professora doutora Sara Cerqueira, o módulo abordou aspectos da organização e do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), relacionando os conteúdos às necessidades da formação de médicos de família e comunidade. Ao longo dos encontros, as residentes Ana Maria Barros e Larissa Castro discutiram temas como a micropolítica do trabalho em saúde e os arranjos institucionais da gestão municipal, com a participação de profissionais da rede, entre eles Irlan Coelho, gestor do Núcleo Orçamentário e Financeiro (NOF) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador.
O Ano Adicional de Residência Médica em Gestão e Preceptoria tem duração de 12 meses e articula experiências nas Unidades de Saúde da Família (USF) e em setores estratégicos da SMS. A proposta é aproximar a formação teórica da realidade dos serviços, preparando profissionais para integrar as dimensões assistencial, administrativa e pedagógica do trabalho em saúde.
O programa é coordenado pela médica Ana Carolina Corneau, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), docente do internato da instituição e médica preceptora de Medicina de Família e Comunidade da ESPS. A equipe também conta com os médicos preceptores João Mauricio Sanches e Matheus Oliveira.
Cuidado, gestão e educação na prática
Durante a aula de encerramento, Washington Luiz Abreu de Jesus destacou que cuidado, gestão e educação não devem ser tratados como áreas isoladas, mas como dimensões interdependentes do processo de trabalho em saúde. A fragmentação entre assistência, planejamento e formação, segundo a abordagem apresentada, pode distanciar as capacitações dos problemas cotidianos dos serviços, dificultar a construção de protocolos alinhados à realidade assistencial e limitar o aprendizado das equipes a partir das próprias experiências.
A discussão também contemplou os fundamentos legais e as políticas públicas que orientam essa integração no SUS. Entre as referências abordadas estão o artigo 200 da Constituição Federal de 1988, a Lei nº 8.080/1990, a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), a Política Nacional de Humanização (PNH), a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e as Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Medicina.
Esses marcos orientam a formação e o desenvolvimento dos trabalhadores da saúde, reconhecendo os serviços como espaços de aprendizagem e reforçando a necessidade de aproximar a gestão das práticas de cuidado e dos processos educativos.
Referenciais que conectam teoria e trabalho
A aula também resgatou contribuições da Saúde Coletiva brasileira para discutir a aplicação desses princípios no cotidiano dos serviços. Entre os referenciais apresentados estiveram a gestão em ato, a cogestão e o Método Paideia, as equipes de referência e o apoio matricial, além do quadrilátero da formação em saúde, que articula ensino, gestão, atenção e controle social.
Na dimensão prática, foram discutidos instrumentos como o Projeto Terapêutico Singular (PTS), as reuniões de colegiado gestor, a preceptoria no internato e na residência médica e a análise crítica de situações e casos atendidos pelos serviços. Esses dispositivos contribuem para integrar a tomada de decisões, a organização do cuidado e a aprendizagem das equipes.
Fortalecimento da saúde municipal
A conclusão do módulo representa mais uma etapa da formação de médicos preparados para atuar de maneira integrada na assistência, na gestão e na educação em saúde. Ao aproximar o processo formativo dos desafios cotidianos da rede municipal, o Ano Adicional de Residência Médica em Gestão e Preceptoria contribui para o desenvolvimento de profissionais capazes de participar da organização dos serviços e do aprimoramento do cuidado oferecido à população de Salvador.





