Atividade reuniu profissionais de diferentes instituições para troca de experiências entre programas de residência e construção de propostas pedagógicas com foco no cuidado antirracista
Profissionais do Núcleo de Residências da Escola de Saúde Pública de Salvador participaram, nos dias 20 e 21 de outubro, da Oficina de Formação de Preceptores em Medicina de Família e Comunidade (MFC) – Ano Adicional em Saúde Mental, realizada em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O encontro promoveu o intercâmbio de experiências entre programas de residência, a construção coletiva de propostas pedagógicas e a discussão de práticas de cuidado antirracistas no Sistema Único de Saúde (SUS).
A participação da equipe ocorreu a convite da professora Andréa Taboada, da Coordenação da Comissão de Residência Médica (COREME) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), e do Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade da instituição.
Representaram a Escola de Saúde Pública as docentes Alessandra Tranquilli, Marianna Soares e Julyana Quintino, que atuaram como mediadoras das atividades e compartilharam a experiência do R3 em Saúde Mental e População em Situação de Rua, iniciativa pioneira no país.
Educação popular e construção coletiva
A programação foi orientada pelos princípios da Educação Popular em Saúde, com atividades participativas voltadas à valorização dos saberes e das experiências de profissionais, gestores, estudantes e usuários dos serviços de saúde.
Participaram discentes e docentes de universidades do Rio Grande do Norte e da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), além de gestores municipais, trabalhadores da rede de saúde, usuários dos serviços de saúde mental e a diretora da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.
No primeiro dia, os participantes construíram uma linha do tempo para resgatar acontecimentos e movimentos importantes da história da reforma psiquiátrica em Mossoró. A atividade favoreceu a reflexão sobre as transformações no cuidado em saúde mental e sua relação com a organização pedagógica do ano adicional da residência em Medicina de Família e Comunidade.
Já no segundo dia, as docentes de Salvador conduziram uma roda de conversa sobre a experiência do R3, abordando estratégias pedagógicas e a organização dos processos formativos. Em seguida, os participantes revisaram a proposta pedagógica do programa e construíram coletivamente encaminhamentos para o cronograma de implantação.
Prática clínica antirracista em debate
A oficina também contou com uma atividade sobre consulta racializada e prática em saúde antirracista, solicitada pelo Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade da UERN e direcionada aos programas de residência em saúde.
O debate abordou a importância de considerar a dimensão racial na prática clínica e na formação dos profissionais, com atenção aos impactos do racismo nas experiências de adoecimento, no acesso aos serviços e na produção do cuidado.
A participação da equipe da Escola de Saúde Pública de Salvador contribuiu para aproximar experiências formativas desenvolvidas em diferentes territórios e ampliar o diálogo sobre os desafios da formação profissional no SUS. A troca de conhecimentos também favoreceu a construção de propostas pedagógicas alinhadas à integralidade do cuidado, à valorização dos saberes locais e ao enfrentamento das desigualdades raciais na saúde.











